Publicado por: NMKarate | 13 Outubro, 2007

Entrevista a Rui Jerónimo

Entrevista Blog NMKarate

Olá Rui

Em primeiro lugar queríamos agradecer o tempo dispensado para esta entrevista.

Antes de mais faz uma breve apresentação a todos os nossos leitores?

Sou o Rui Jerónimo, tenho 26 anos, e vivo na Guarda. O meu dia a dia é bastante rodeado pelo Karate. Sou treinador de karate em várias escolas e clubes. Frequentei até à data três cursos no Ensino Superior, mas não terminei nenhum… J Vamos ver se é desta! O certo é que não tenho o diploma desses cursos (o que é pena), mas aprendi com todos eles!

Sou um atleta de kata, faço competição porque gosto e porque continuo a ter objectivos pessoais, quando isso acabar, acabou… Não vivo da competição! Adoro “chatear” com a minha presença! Faço do Karate um modo de vida, até porque raramente há um dia em que não se fale de karate!

O que te fez entrar para o mundo do Karate?

Como todos os jovens era bastante ligado ao mundo dos “vídeo-jogos de luta” e aos filmes do Bruce Lee e do Vandamme. Talvez isso tenha ajudado e incentivado a passagem à acção.

Entrei, tal como a minha irmã, por influência de outro casal de irmãos que na altura eram os nossos melhores amigos. Isto deu-se no final do ano de 1992. Um mês depois acabou por entrar também o meu pai, o que fez com que fossemos muito mais responsáveis e assíduos nos treinos. Tenho a certeza que naquela altura dos 12 anos, se não tivesse sido o meu pai a dizer (vais treinar, e vais mesmo), teriam havido alguns dias em que não teria ido treinar. 5 anos depois entrou a minha mãe, e cá seguimos os 4! Uma família de karatecas, uma forma de andarmos sempre juntos!

O que achas do momento do Karate Português Competitivo?

Acho que o Karate Competitivo em Portugal está em ascensão. Também não que isso me surpreenda, pois é uma actividade relativamente recente. Entenda-se “Karate Desportivo”. Sim, porque se falamos em Karate enquanto Arte Marcial, este existe há muito mais tempo em Portugal.

O Karate Competitivo Profissional é outro assunto, e esse sim está longe de ser alcançado. Haverá se calhar alguns atletas semi-profissionais em Portugal, o que já é bastante bom. Se existe algum competidor profissional… desconheço, e não acredito que seja fácil para ele “sobreviver”.

Pessoalmente acho que o caminho da competição não faz nada mal ao Karate, e sou dos que acredita que se pode conciliar as duas vertentes do Karate: desportiva e tradicional.

Sustentas o sentimento de que ainda podermos ser Olímpicos?

Sim, totalmente. Principalmente pelo que disse anteriormente. Acho que somos um desporto relativamente recente e que tem muito para evoluir em termos de organização e dinamização. Até mesmo no que diz respeito às regras, acho que teremos ainda que mudar algumas coisas para podermos entrar nos Jogos Olímpicos.

 

Como é que te sentes sendo um atleta que foi 9º e 12º classificado em campeonatos da Europa e nunca mais apostarem em ti?

Esta pergunta já é mais complicada….JJ Mas é uma excelente pergunta!

Agora já não penso muito nisso, mas a verdade é que acho que poderia ter sido diferente. Nessa altura em que eu era júnior, fui a dois campeonatos europeus. Um na Eslovénia e outro em Chipre. Em ambos passei várias eliminatórias. Lembro-me perfeitamente que em 2000 na Eslovénia, foi a ultima competição com as regras antigas, em que era com pontuação. Para os 8 finalistas, ficámos empatados 3 atletas que ocupariam o 7º, 8º e 9º lugares. Fomos a desempate, e passaram os outros dois atletas. Eu fiquei em 9º lugar.

No ano seguinte fui a Chipre já com as novas regras, e lembro-me perfeitamente das palavras sábias do seleccionador João Dias no final das provas de kata, que me disse a mim e à Carmen Lorenz que a partir de agora sim, seria muito complicado para nós (Portugal) conseguir bons resultados em Campeonatos Europeus, Na altura não entendi muito bem, hoje entendo e dou-lhe toda a razão. É muito, dificilmente um atleta de kata com a bandeira portuguesa no kimono ganhar a um atleta com a bandeira italiana, francesa ou espanhola. Com estas regras, em que se mede muito mais directamente a prestação entre dois atletas, o peso do país é muito mais importante. Não digo com isto que os outros atletas sejam melhores do que os portugueses, ou que estas regras não sejam melhores.

Fiquei com a sensação de que me deixaram a meio da minha evolução enquanto atleta da selecção nacional. Mas até com isso aprendi e cresci!

Sentes que existe alguma discriminação em alguma parte da competição entre o Kumite e a Kata?

Discriminação não diria, mas há realmente diferenças. Uma coisa é certa, existem em Portugal menos competições de kata do que de kumite. Talvez devido aos estilos não seja muito fácil organizar competições de kata, pois obriga à presença de árbitros que conheçam katas de vários estilos. Agora pergunto: Será que as “grandes associações” que hoje em dia organizam os Torneio de Kumite em que até participam atletas em representação da Selecção Nacional, e árbitros da própria Federação, não poderão incluir também mais duas provas? Kata open feminino e Kata open masculino. Vejam o exemplo dos Opens da Golden League, e de tantos outros realizados por diferentes cidades.

Entrando no que diz respeito a apostas internacionais a nível de kata, acho que já se fizeram mais do que o que se faz actualmente. Como simples karateca que sou, tenho algumas reticências sobre as apostas que estão a fazer… Mas quem sou eu para dizer que está bem ou está mal… O futuro o dirá! Até agora não tenho visto grandes resultados. Para mim ir lá fora e perder na 1ª volta, não é um bom resultado, e isto vale para o kata, como vale para o kumite.

Sempre disse que lá fora e em representação de Portugal, cada atleta deve participar no seu escalão, tal como continuo a defender que não se devem deixar os “bons” atletas de momento em casa para se apostar nos que poderão vir a ser bons. Para já não há garantias que venham a ser realmente bons e muito menos que não desistam a meio do caminho.

Outra coisa, e das piores actualmente, é o facto dos interesses e “peso” (quer sejam dos atletas, treinadores, clubes ou associações) andarem à frente da qualidade dos seus atletas.

O que desilude mais no nosso país em relação há prática do Karate de alta competição?

A resposta anterior serve também para esta pergunta. Acrescento só que nos fazem falta escolas de formação e entidades que apostem nisso mesmo “formação”. Porque eu acho que temos bons atletas, não têm é acompanhamento ao longo da sua vida desportiva. Pessoalmente acho que a Federação, como organismo máximo do karate em Portugal, não tem aproveitado da melhor forma os patrocínios nem a comunicação social. É inacreditável que um atleta em nome do seu clube ou associação consiga mais rápido um patrocínio e colocar uma notícia num jornal nacional, do que a Federação. Outra coisa que não se entende é que as nossas competições durem um dia inteiro! Quem é que tira um sábado ou domingo inteiro para ficar fechado num pavilhão?! Só mesmos os atletas, alguns amigos e familiares…

Quais os teus objectivos no futuro do Karate?

A nível competitivo regional e depois de 10 Campeonatos Regionais ganhos, pretendo manter o título de Campeão Regional o máximo de tempo possível.

A nível competitivo nacional e depois de 5 títulos de Campeão Nacional pretendo ser novamente Campeão Nacional.

A nível competitivo internacional pretendo ainda fazer muitas competições e ter muitos bons resultados, o que fará pensar muito boa gente sobre o que diz e faz em Portugal.

Enquanto treinador e já com vários atletas em primeiros lugares nos Campeonatos Regionais e Nacionais, pretendo continuar a formar bons atletas e sobretudo boas pessoas!

Obrigado pelas respostas as nossas questões. Últimas palavras, queres acrescentar alguma coisa?

Para vocês: Parabéns pela iniciativa e obrigado pela entrevista. Desculpem ter escrito tanto!

Para os atletas: Gostaria que continuassem a “competir” uns com os outros, porque isso é muito importante, mas de uma forma saudável.

Para os treinadores: Era muito melhor para o Karate em geral se não quisessem colocar os seus atletas no topo, se não merecem estar lá.

Para Associações e Federação: Gostaria que todos fizessem as coisas pelo bem dos praticantes e atletas, não pelos interesses políticos ou económicos.

Nome: Rui Jorge Ferreira Teixeira Jerónimo

Idade: 26

Peso: 70 Kg

Graduação: 3º Dan

Estilo: Shotokan

Clube: Academia Egitaniense de Karate Shotokan

Associação: União de Dojos de Karate Shotokan

Artigo elaborado por: João Meireles e Nuno Moreira


Responses

  1. Sucessor do Jorge Peixeiro! Abraço

  2. Sucessor ou não o que importa é que dês sempre o teu melhor e fiques orgulhoso de cada participação tua em cada campeonato/torneio… Continuação de bom trabalho e boa sorte para o teu futuro enquanto atleta e estudante! **

  3. Primaço… es assim um karateca espatoso…deixas me babada pá…loool…sabes k eu vos adoro e k estou sempre do vosso lado a apoiar vos e a dar vos força…continua a ser kem es…!!!

    e carla, relaxa… apoiando muitas das coisas k tu dissest apenas t digo k nao vale a pena dar importancia a essas “saladas mal temperadas”…=P dá apenas importancia àqueles k nao se cansam de t apoiar, a ti e ao teu irmao, por tudo akilo k voçes significam para nos…e por serem aqueles k merecem o nosso devido valor!!! BJAO***

  4. Esponjooooooooooooooooo:)Grande percurso,grande homem e principalmnte GRANDE AMIGO.O pódios serão sempre teus:)beijos gandes da esponja que te adora;)

  5. so mesmo tu pra tares em todas…beijokinhas Angelica

  6. es de facto un bon karateca pois eu fasso o mesmo vivo miinto en fonsao do karatee gosto de ensinar forsa ai amigo


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